segunda-feira, 9 de maio de 2016

morte

essa sensação de não-vida
seca e fria
será para sempre
eu soube, sabia
daqui pra frente, todos os dias
mas quem quer crer na dor
se o dia-a-dia já tão cinza
dava um jeito
vez ou outra
de esperançar a gente?
mas não
é sem poesia
sem calma, sem olho pra dentro
é cotidiano desgraçado 
demasiado
fadado ao fado fracassado
é uma tristeza amarga
beirando o açoite
é a tragédia de morrer para si

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terça-feira, 8 de março de 2016

dissabores

coleciono erros de existir
pés que sempre foram mãos
boca desproporcional desproporcionante
se quis caminhar levando sorrisos
sei que enfileirei mágoas e desgostos
a impossibilidade de tanto exagero
um descontrole sem rumo
uma ânsia desesperada
feia
feia
um caminho sem destino
nunca saberei porque tanta palavra

tanto rancor
mas vejo o espanto nos olhos dos outros

eu vejo
eu machuco só de existir
eu doo

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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

celular, afastamento e frustração

Sempre se fala que celular e internet afastaram as pessoas, porque parecemos estar o tempo todo online conversando com... outras pessoas em seus aparelhos. Será que já se problematizou por aí a possibilidade das pessoas apenas não estarem com as pessoas que gostariam? Afinal, o termo "conectar" é muito simbólico. Se passamos nosso tempo em aparelhos conversando com alguém, não estamos nos afastando "das pessoas" - assim, no abstrato e generalizando. Podemos estar nos afastando das pessoas que estão presentes, mas estamos nos aproximando das pessoas com as quais conversamos por esses aparelhos, o que me leva a pensar: quem sabe só não estamos tentando nos aproximar de quem realmente gostaríamos de ter perto.

Pessoalmente, quando estou com pessoas que não me interessam ou mesmo que falam sobre assuntos que não me interessam, me surge a vontade de puxar o celular e aproveitar o momento para me conectar a quem realmente eu gostaria de estar conversando. Mas também problematizo isso: talvez estejamos nos tornando mais intolerantes, tanto a assuntos quanto a pessoas que, aparentemente, não nos interessam. Penso na minha mãe e na infinidade de assuntos que ela gosta de trocar e que não me interessam nem por um minuto. Frequentemente acabo me fechando em alguma tecnologia conectiva quando estou com ela e penso quantas vezes ela já teve a oportunidade e o prazer de conversar comigo com meu rosto para ela mirado. Sinto vergonha.

Em vez de ficarmos lamentando um afastamento coletivo entre as pessoas por causa de celulares e internet, deveríamos repensar nosso modo egoísta de relacionamento, tão modernamente intolerante, pretensioso e seletivo, dar oportunidade às diferentes pessoas e vivências que nos chegam e, acima de tudo, reaprender a frustrar-nos: nossa realidade não é a satisfação total dos nossos desejos. Ainda bem: o imprevisível mora aí e pode ser surpreendentemente bem melhor do que a simples concretização das nossas expectativas...

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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

pista! acho que começo a me encontrar

eu havia (me) admitido uma lógica por ser uma lógica geral. se por um momento fui à superfície respirar, me possibilitei encontros com outros tão diversos que me encontrei. foi um momento que me presenteei para a não-produção, para a intensidade. não foi exatamente planejado, tal como a fluidez deve ser. mas foi necessário, chegando quase nos últimos minutos de uma vida útil. pra perceber que utilidade, função, postos e papeis nunca significaram nada pra mim, por mais que eu tentasse, por motivos sociais, significá-los. me sinto perdida, assim, e feliz por esse desencaixe. descambei em mim, finalmente, por buscar cada vez mais o outro. quanta gratidão!

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terça-feira, 21 de abril de 2015

nada mudou

nunca sei se estou indo ou voltando
me circulo e não me encontro
e de tanto me procurar me cego
é como estar a um passo de ser
e voltar
breve respirar de vida autêntica
o tempo passa e eu não mudo


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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

disparo

a cabeça dela é uma roleta russa. as mágoas explodem e me tocam. já não dói. sinto dó, me ejeto - n'algum lugar ainda se fala (de) amor...

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

quem?

a vida prestes a cair da boca
e o mundo inteiro em pedaços de papel.
se tudo se resumisse à essa inversão profunda,
essa confusão de cor, afeto e fúria
mas tudo é tanto
amplo
vasto mundo
e eu aqui a mendigar por eu
por ser
por qualquer delícia que desvie a atenção
da minha incapacidade plena de autogestão
se falo tanto de mim é por estar atônita
pela falta de eu no todo à minha volta
pelo excesso de eu na superfície insegura
a vida a secar cotidianamente 
prestes a assumir a roupa


arte de Alexandra Levasseur

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